Pular para o conteúdo principal

O PERIGO DA FLEXIBILIZAÇÃO DA TERCEIRIZAÇÃO

*Por Alexandre Slivnik 
Vimos nos últimos dias longos debates sobre a flexibilização do trabalho terceirizado.  Se esse projeto for totalmente aprovado, será permitido que as empresas contratem colaboradores terceirizados, independentemente da sua função ou cargo dentro da empresa. 
Por conta dos diversos impostos e da alta burocracia que temos no nosso querido Brasil, muitas empresas já terceirizam algumas funções, como limpeza, segurança, recepção e etc. Com a aprovação dessa nova lei, a tendência é o aumento significativo do número de colaboradores terceirizados. 
Toda decisão vem acompanhada de vantagens e desvantagens. Enquanto a ideia da flexibilização é trazer competitividade e gerar mais empregos (o que é legítimo e extremamente importante), do ponto de vista da GESTÃO dos negócios, isso será muito perigoso.
Explico. Um dos grandes problemas nas empresas é o famoso alto turn over (rotatividade de colaboradores). E um dos principais causadores da alta rotatividade é justamente a adaptação à cultura e à realidade daquela empresa. 
Ao fazer reuniões com diversas empresas de todo o Brasil, uma das maiores queixas é que os colaboradores não são engajados. Como é que um colaborador que trabalha na sua empresa e, teoricamente, nem da sua empresa é (juridicamente falando), poderá estar engajado no seu propósito? Minha resposta: TREINAMENTO e DESENVOLVIMENTO. 
A terceirização das funções não pode, nunca, ser acompanhada da terceirização da responsabilidade pelo desenvolvimento desse profissional. E essa é, infelizmente, a realidade de muitas empresas brasileiras!
Para conseguir manter uma imagem forte, que ultrapassa os muros da organização, os colaboradores precisam estar em total sintonia com a cultura da empresa, ou ela não será praticada por eles. Uma organização, com missão definida, que cria processos condizentes com ela, ganha credibilidade com o seu time, pois terá mais do que um discurso, terá ações reais que provam o que ela fala. 
Por exemplo, se sua organização se diz aberta a receber as ideias de seus colaboradores, precisa realmente dar voz a eles. Se os líderes não dão liberdade para que os colaboradores falem abertamente, a cultura da sua organização não está sendo praticada e talvez você não esteja enxergando isto.
Uma empresa de cultura forte se preocupa em fazer com que seus valores sejam praticados em todos os momentos - nunca abandona seus funcionários. Está lá, junto com eles, mostrando que existe uma coerência nos processos. Tudo fala a mesma língua e funciona de maneira única: a contratação, o treinamento, a seleção, a relação com os funcionários, a entrega para o cliente.
Vejamos o que fazem as maiores marcas do mundo. Disney, Apple, Facebook, Google e muitas outras. Elas não contratam pessoas apenas olhando as funções. Elas contratam pessoas apaixonadas pelas suas marcas. São profissionais que defendem a empresa com unhas e dentes e são verdadeiros fãs. Essas grandes empresas assumem a responsabilidade do treinamento e desenvolvimento dos seus colaboradores, tendo um grande envolvimento de cada colaborador na CULTURA e no PROPÓSITO da empresa.
Você pode estar se perguntando. Ok, Alexandre. Mas o que isso tem a ver com terceirização? Tudo! Seres humanos não podem ser tratados como peças que podem ser repostas a qualquer momento. É preciso achar a pessoa certa, que encaixe no seu negócio! Pensando no seu crescimento e na sua carreira no médio e longo prazos.
Não estou aqui defendendo o término do trabalho terceirizado. Defendo fielmente que as organizações devam assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento daquele colaborador e trata-lo da mesma forma que tratam os demais colaboradores. Caso contrário, a empresa estará fadada a ter um “estranho” no ninho tocando os seus negócios. E depois poderá ser tarde demais para corrigir o estrago.


Alexandre Slivnik iniciou carreira aos 16 anos na ABTD - Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento, onde tomou paixão pelo universo de treinamento e desenvolvimento. Neste período, formou-se em Educação Física pela Universidade Mackenzie, com ênfase em Qualidade de Vida Empresarial e aprendeu ainda mais sobre esta área desenvolvendo importantes projetos em treinamento. Tornou-se, anos mais tarde, diretor executivo da ABTD, responsável pelo setor de eventos que desenvolve o maior congresso de treinamento da américa latina, o CBTD. Autor do livro best seller "O Poder da Atitude" (Editora Gente, 2012), e com 17 anos de experiência na área de RH e Treinamento; um dos maiores especialistas em excelência Disney no Brasil fez diversos treinamentos com o Disney Institute sobre os temas: Excelência em LiderançaInovação e CriatividadeQualidade em Serviços e Excelência em Negócios; Palestrante Internacional com experiência nos EUA, ÁFRICA e JAPÃO.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Rondoniense de 17 anos vai disputar o concorrido Sub-20 em SP

Olha que notícia maravilhosa. Vem daqui de perto do distrito de Jaci-Paraná, a 80 km de Porto Velho, um filho do distrito chamado Jardson Medeiros, zagueiro de 1,85 m com 17 anos, pé esquerdo, pelo visto um prodígio - na acepção da palavra -, daqueles com habilidades próprias para pessoas com mais idade.
Acompanhe o histórico de Jardson: foi bicampeão da copa treze sub-15 pelo Avaí-PVH; em 2015 disputou o sub-16 pelo SC Genus; já o ano passado foi campeão do Interdistrital pela seleção de Jaci-Paraná, quando foi muito elogiado pela postura em campo e personalidade.
Desta temporada o garoto começou a viajar. Entenda-se viajando para fazer o que mais gosta, e sabe fazer. Foi para Confins-MG, disputou o campeonato mineiro sub-17 pelo Bonsucesso EC, sucesso garantido seu time foi eliminado na semifinal mineira. Algumas equipes de base da terra de Tiradentes tentaram ficar com o zagueiro.
Porém, seu destino acabou sendo São Paulo, primeiro jogou pelo Osvaldo Cruz FC, interior paulista. Ao vol…

Vila Nova FC - GO contrata dois do futebol rondoniense

Um é "veterano" dos seus 34 anos, mas a função talvez exija uma pessoa dessa estirpe, com formação superior em Ciências Contábeis; foi observador da base do próprio Vila Nova; trabalhou como Coordenador de Esportes e, portanto, na formação do Rondoniense SC onde sagrou-se campeão do 1º turno de 2016 no Periquito do Ulisses Guimarães - com às mãos nas costas -, depois saiu e foi especializar-se em Coaching na área esportiva, lá em Manaus-AM.
Falo de Welmer  Bueno(f), que já assumiu o cargo de Coordenador Geral da Base do Vila. Os objetivos traçados para o time goiano são alvissareiros e factiveis, senão vejamos: 1) tornar a base do Vila Nova, uma base profissional; 2) captar recursos financeiros para viabilizar todo o projeto; e 3) trabalhar a formação e liderança da equipe, captação de jogadores para a base, disciplina e compromisso. Falando em compromisso, a primeira grande batalha do Vila é a Copa SP com início dia 3 de janeiro próximo. (Welmer Bueno - reprodução/facebook)
A …

Tanaka faz acordo amigável e dá adeus ao Periquito

Foram somente três minutos vestindo a camisa oficial do RSC. Falo de Alessandro Tanaka, camisa 16 que entrou ao final do jogo entre RSC 0 x 0 Cuiabá pela Copa Verde, no último domingo. O ambiente no ninho do periquito já não estava legal para o atleta estrela de Guajará-mirim, ontem, segunda-feira entornou de vez.
E, agora à tarde o rápido atacante Tanaka, entrou em acordo com a diretoria do clube, e deu adeus ao RSC. Agora vem a surpresa maior. Sabe para onde voa o Tanaka, ou melhor, sai do ninho do periquito e vai para o Acre, isso mesmo o novo clube será no estado do Acre. E quem pensava no Tanaka no Galo da BR, tire o cavalo da chuva.
O blog chegou a conversar com Eder Marques, um dos diretores do Jipa, e ele assim se expressou: "Luis, na verdade era intenção da gente trazer o Tanaka para cá, como foi um acordo amigável e ele resolveu ir para o Acre, que seja feliz não vamos entrar em leilão". (Tanaka deixou o RSC nesta terça(7), vai para o Acre)